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No segundo dia da OTC Brasil 2019, empresas do setor abordam temas como custo, tecnologia e atração de jovens talentos

 

Os oceanos oferecem muitas oportunidades na área de energia, mas domesticá-los exige investimento, pessoal capacitado e, principalmente, alta tecnologia. Foi o que mostraram representantes de quase uma dezena de empresas, entre os quais os diretores globais de exploração e produção das maiores companhias de petróleo do mundo, que participaram da OTC Brasil 2019 na tarde desta quarta-feira (30/10).

Para o conselheiro emérito do IBP, Jorge Camargo, a transição energética alterou o cenário de competição do setor de óleo e gás. “Nós sempre tivemos que competir, mas a competição por si só mudou. Temos agora que competir com outras indústrias”, disse na abertura do painel “Como aumentar a competitividade em projetos em águas profundas”.

O diretor de E&P da ExxonMobil, Stephen Greenlee, respondeu à provocação de Camargo defendendo a competitividade da indústria offshore. Segundo ele, apesar dos desafios da transição energética, ainda existe um grande potencial de produção de petróleo e gás, principalmente em águas profundas. Explorá-lo, porém, exige criatividade. “Nossa capacidade de explorar esses recursos (petróleo em águas profundas) nos últimos dez anos aumentou consideravelmente. Eles competem de um modo muito favorável”, garantiu.

O diretor de E&P da Total, Arnaud Breuillac, lembrou que o desafio de ter projetos lucrativos com tecnologia e inovação passa por atrair jovens talentos para o setor. Para ele, esse é um dos maiores desafios da indústria, já que os projetos em águas profundas são competitivos mesmo quando comparados com o chamado shale oil dos Estados Unidos.

O diretor operacional da Baker Hughes, Uwem Ukpong, lembrou que o tempo de descoberta para o primeiro óleo passou de 20 anos para 5 anos. Para melhorar ainda mais essa marca, como se propõe a Petrobras, cuja meta é de mil dias, ele frisou ser necessário investir mais na colaboração entre operadores e fornecedores. “Tecnologia e colaboração é o que vai nos levar ao próximo passo”, disse.

A Petrobras apresentou seu desafio dos mil dias, mas o diretor de E&P da companhia, Carlos Alberto Pereira de Oliveira, frisou que a competitividade sempre foi uma meta da companhia, cujo custo de capital historicamente é mais alto que o dos concorrentes. Agora, disse, o foco é buscar projetos disruptivos. “Precisamos pensar em modelos disruptivos, só assim poderemos aumentar a competitividade”, declarou, destacando que uma das etapas da companhia para atingir a marca de menos de três anos até o primeiro óleo é passar a ter 100% de certeza de que encontrará óleo ao furar um poço.

A CEO da Equinor Brasil, Margareth Øvrum, também falou de transição energética, tecnologia e inovação, mas assim como o diretor da Petrobras, não esqueceu dos custos inerentes à operação no Brasil. Segundo ela, é importante remover complexidades desnecessárias e investir em inovação, como propõe a companhia no novo centro de pesquisas que inaugurou no Rio de Janeiro, mas não se pode perder de vista aspectos fiscais e regulatórios. “O Brasil está melhorando a regulação, mas ainda precisa simplificar seu sistema de arrecadação”, disse.

 

Energia renovável

No painel sobre energia renovável offshore, empresas como Equinor, Aquatera, Deme, Aker, SBM e Petrobras apresentaram os projetos, a maior parte de energia eólica, que já estão desenvolvendo em vários pontos do planeta. Para o consultor técnico da Petrobras no projeto de Libra, Fábio Passareli, a geração de energia renovável em áreas de exploração de petróleo offshore do pré-sal terá um importante papel para reduzir a pegada de carbono desses projetos. O desenvolvimento dessas iniciativas, porém, depende de uma redução nos custos dos equipamentos, para que se tornem viáveis.

Veronica Coelho, vice-presidente da Equinor no Brasil, mostrou um projeto de geração eólica associado com plataformas de petróleo, apoiado pelo governo da Noruega. Segundo ela, esse tipo de solução abastece as plataformas, ajuda a reduzir pegada de carbono da operação de produção de petróleo e ainda libera gás para venda ou reinjeção.

Já Rafael Torres, diretor de desenvolvimento de negócios da SBM Offshore, apresentou uma turbina de geração eólica flutuante, adequada a altas profundidades. No Brasil, disse, tecnologias como essa devem se tornar realidade no Brasil em quatro ou cinco anos.

Para o professor Segen Estefen, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, estruturas como essa podem ser bastante adequadas para a costa do país, que tem alto potencial de geração eólica.

 

Liderança feminina

Mulheres na Indústria de Óleo e Gás
Anelise Lara (Petrobras), Kim McHugh (Chevron), Margareth Øvrum (Equinor Brasil), Maria Silvia Bastos Marques (Banco Goldman Sachs), Tracy Francis (McKinsey & Company)

O setor de petróleo e gás busca alternativas para ampliar a inclusão feminina, tema do painel “Mulheres na Indústria de Óleo e Gás: Melhorando Rentabilidade e Resultados”. Anelise Lara, diretora executiva de Refino e Gás Natural da Petrobras, destacou que ainda há um longo caminho a ser percorrido até atingir a paridade de rendimentos entre homens e mulheres. “Hoje, apenas 17% dos executivos e seniores do setor de óleo e gás são mulheres.”

Mas as lideranças femininas já veem avanços e defendem que a diversidade melhora o desempenho das companhias. Kim McHugh, vice-presidente de Perfuração da Chevron, disse que já “as mulheres devem ser ‘patrocinadoras’ de outros talentos femininos” e “mudar a cultura corporativa inconsciente das chefias na hora de distribuir oportunidades”.

Já Margareth Øvrum, CEO da Equinor Brasil, que é mentora de muitos jovens principalmente mulheres, e destacou a importância das lideranças neste sentido. “No início de minha carreira, ouvi de uma má liderança, diante de um problema que eu poderia resolver, que minha função seria ‘pegar café e biscoitos para o chefe’. Ele não está mais na empresa”, contou.

 

Área de exposição

Na exposição, a Petrobras trouxe dois grandes temas: Pré-sal e o Projeto de Libra. Dividido em vários ambientes, o estande coloca à disposição quatro telas interativas com destaques de suas operações, incluindo um vídeo sobre a plataforma P-68, a próxima a entrar em produção no pré-sal, e uma animação sobre as cinco tecnologias pioneiras do Projeto de Libra, que receberam, nesta quarta-feira, o prêmio Distinguished Achievement Award da OTC pelo teste de longa duração (TLD) do campo.

O estande também apresenta uma programação diária – e gratuita – de palestras, além do Missão Pré-Sal, um painel interativo que simula operações no pré-sal com o uso de joysticks, e o Conexões com Inovação, ambiente em que os interessados em startups podem falar diretamente com os técnicos da operadora.

 

A OTC Brasil conta com o patrocínio da Petrobras, Equinor, ExxonMobil, Shell, BP, Chevron, Petrogal, Total, Repsol Sinopec, TechnipFMC, Vallourec, PetroRio, Aker Solutions, Frank’s International, Maha Energy Brasil, Shawcor, Solvay, Halliburton, Enauta e MOL.