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No último dia da OTC Brasil 2019, o debate foi centrado nos desafios para manter o petróleo brasileiro competitivo

 

O presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), José Firmo, alertou a indústria de O&G nesta quinta-feira (31/10) para o risco de que os investimentos para desenvolver as áreas arrematadas nos últimos anos voltem a inflacionar os preços, como ocorreu no início da década. Ele participou do painel “Como fortalecer a produtividade e a competitividade da cadeia de suprimentos de óleo e gás”, na tarde do último dia da OTC Brasil 2019, e frisou a necessidade de manter os custos sob controle para que o petróleo brasileiro continue competitivo em relação aos concorrentes.

“A quantidade de dinheiro atraída para o Brasil nos últimos três anos faz tudo o que foi feito antes parecer pequeno. Estamos fazendo a coisa certa e precisamos continuar fazendo a coisa certa”, disse, destacando a necessidade de aproveitar o atual momento para integrar de fato toda a cadeia ao mercado global. “Uma abertura real do mercado é diferente de uma abertura do mercado”, completou.

A estimativa do IBP é de que pelo menos 11 FPSOs serão contratadas nos próximos cinco anos. Para o presidente da Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Petróleo (Abespetro), Claudio Makarovsky, as empresas brasileiras se adaptarão para atender a demanda se souberem exatamente qual será a demanda. “Tivemos muitas experiências ruins no passado e não queremos repetir. Ninguém nessa sala vai querer fazer 18 sondas ao mesmo tempo novamente”, declarou.

Para Makarovsky, a estratégia exige realinhar preços e compartilhar os riscos entre operadores e fornecedores. “Os fornecedores precisam se engajar mais cedo nos projetos e os riscos e benefícios precisam ser balanceados”, explicou.

Para o diretor de cadeia de suprimentos da Petrobras, Cláudio de Araújo, a companhia está preparada para dividir os riscos com os fornecedores como forma de reduzir custos de contratação. Ele não detalhou como isso pode ser feito, mas frisou que a companhia precisa trabalhar com projetos mais padronizados como forma de reduzir os preços.

Durante o último almoço-palestra da OTC Brasil 2019, o secretário-executivo de Exploração e Produção do IBP, Antonio Guimarães, falou sobre a necessidade de a indústria enquadrar seus projetos com um “breakeven point” inferior a US$ 40 por barril, a fim de manter o equilíbrio e sustentabilidade dos projetos.

Para tal, disse, durante a fase de desenvolvimento da produção é necessário buscar a padronização de plataformas e outros equipamentos, equacionar a dependência de poucos fornecedores, manter um ambiente favorável de regras de conteúdo local em bases competitivas, bem como um cenário de estabilidade fiscal e regulatória – que assegurou a retomada dos leilões. “Uma indústria local competitiva, com diversidade de fornecedores e competição entre eles é bom para o setor e para o país, que receberá grandes investimentos nos próximos anos”, comentou.

 

Transformação digital

A transformação digital é um desafio até mesmo para as empresas de tecnologia. Esse foi um dos principais recados dos participantes da sessão plenária sobre o tema, que encerrou a programação da OTC Brasil 2019 e contou com a participação de representantes da Google, Amazon, IBM e Microsoft.

Para Ana Paula Assis, gerente geral da IBM na América Latina,  mesmo no setor de tecnologia, as companhias que começaram depois da terceira revolução industrial estão tendo vantagens em relação aquelas que já estavam estabelecidas.

Ana Hofmann, da área de indústria da Microsoft,  contou que a companhia estuda as razões de empresas disruptivas como Tesla e Uber serem, em alguns casos, mais eficientes que a companhia. Para ela, está claro que não é por falta de investimento em tecnologia. O principal problema está na cultura das empresas. “Se você tem medo de tomar decisões, vai perder tempo”, disse.

No caso do setor industrial, porém, João Carlos Bolonha, do Google Cloud, também destacou a necessidade de maior agilidade na tomada de decisões. Segundo ele, as empresas estão buscando novas soluções, mas de forma muito lenta. Para Arno Van De Haak, titular da área de O&G da Amazon, a razão para isso é que as empresas do setor são muito preocupadas com a segurança na hora de decidir.

 

Profissional do Futuro

Voltado para o público jovem, o Profissional do Futuro chegou a 18ª edição durante a OTC Brasil 2019. Sob o tema “Mudando o jogo: novas oportunidades de carreira e o papel dos jovens em uma indústria em transformação”, o evento reuniu, na parte da manhã e da tarde, CEOs, lideranças de RH e jovens profissionais para abordar os impactos que a retomada de investimentos na indústria, a transição energética e os avanços tecnológicos podem gerar para o mercado de trabalho.

Segundo Eduardo Chamusca, country director da SBM Offshore no Brasil, diferentemente da indústria de serviços, que tem modelos de negócios mais suscetíveis à disrupção, como o Uber, o mundo de energia requer “hardware”. “Então, não fiquem se questionando muito se a decisão de vocês de trabalhar na indústria de O&G, de energia ou qualquer coisa vinculada à engenharia é certa ou errada. A demanda sempre vai existir para pessoas inteligentes”, comentou.

Já Jaume Vergés, gerente de RH, Inovação, Gestão, TI e Administração da PetroRio, apontou algumas das soft skills valorizadas pelos empregadores e que podem ser amplificadas ou desenvolvidas ao longo do tempo, como a imaginação, a criatividade, a curiosidade, a empatia e a resiliência, além de inteligência emocional e social, trabalho em equipe e pensamento crítico e adaptativo.

“Vocês têm as referências. Vocês estão prontos, têm os conhecimentos técnicos para entrar no mercado”, disse, apontando as consultorias, as startups – ou empresas que tenham esse tipo de cultura – e organizações grandes e dinâmicas como os três perfis mais indicados para que os jovens consigam desenvolver essas aptidões no início de suas carreiras.

 

Área de exposição

A Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) marca presença na exposição com uma programação diária de palestras, abordando temas que vão desde cláusula de PD&I e os aprimoramentos da sua regulamentação até a fase de exploração nos contratos de E&P no Brasil. A agência reguladora promove, na próxima semana, o megaleilão dos excedentes da cessão onerosa, em 6/11, e a 6ª Rodada de partilha do pré-sal, em 7/11.

Petronect
Estande Petronect

A tecnologia está presente no estande da Petronect, portal de compras B2B, que traz o foco na experiência do usuário. A empresa traz duas ativações, incluindo a de um simulador de voo. Para participar, o visitante precisa ler o briefing da viagem e fazer o check-in com a tecnologia de assinatura eletrônica da companhia.

Já o estande do IBP recebeu Raquel Filgueiras, economista sênior da área de Análise Econômica do Instituto, para falar sobre a indústria de óleo e gás e a sua relevância para o Rio de Janeiro. Com 30% do seu PIB industrial e 24% da arrecadação em 2018 voltados para o setor de O&G, o estado é o principal exportador de petróleo do Brasil e tem reservas provadas maiores que as do México. A especialista também abordou as previsões do pico de demanda global de petróleo, de acordo com os principais atores do mercado, e de investimentos em upstream no país.

 

Arena Offshore

Empresas operadoras atuantes no Brasil estiveram reunidas na arena offshore FPSO, no segundo dia da OTC Brasil 2019, onde debateram as tendências para investimentos, competitividade, modelo de contrato e financiamento.

Soichi Ide, da MODEC, falou sobre o desafio de digitalizar as operações em FPSOs. O executivo explicou o processo focado em automação em que uma nova infraestrutura foi construída para viabilizar análises rápidas e escaláveis. Ao mesmo tempo, disse, “mudamos nosso jeito de trabalhar para um modelo ágil, quando o produto é útil desde o primeiro estágio de desenvolvimento”. Alinhado a isso, a empresa desenvolveu um modelo preditivo para manter um ciclo contínuo das operações. “Nosso foco é coletar dados para que possamos prever os riscos”, explicou Ide.

 

A OTC Brasil conta com o patrocínio da Petrobras, Equinor, ExxonMobil, Shell, BP, Chevron, Petrogal, Total, Repsol Sinopec, TechnipFMC, Vallourec, PetroRio, Aker Solutions, Frank’s International, Maha Energy Brasil, Shawcor, Solvay, Halliburton, Enauta e MOL.