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24/09/26

Você não é o que se formou: Young Summit mostra que carreira não precisa seguir uma linha reta

Profissionais de diferentes áreas compartilham histórias de mudanças de rota, oportunidades e aprendizados com jovens que participaram da ROG.e 2026

Aos 17 anos, você já sabe o que quer fazer pelo resto da vida? Para quem participou do Young Summit, na ROG.e 2026, a resposta de cinco profissionais do setor de energia foi praticamente unânime: provavelmente não, e tudo bem. Com o tema “Você não é o que se formou — e isso é o que torna sua carreira interessante”, o painel reuniu histórias de quem mudou de área, descobriu novas possibilidades ao longo do caminho e transformou experiências aparentemente desconectadas em ferramentas para a vida profissional.

A conversa teve como ponto de partida justamente as escolhas feitas ainda na adolescência. Izabela Moura, Product Planner da Baker Hughes, começou sua trajetória na Educação Física. Guilherme Bastos, HR Business Partner da Perenco, escolheu Comunicação e chegou a imaginar uma carreira no cinema. José Alcântara, Coordenador de Treinamento e Desenvolvimento da PRIO, optou por Administração sem saber que encontraria no RH seu caminho profissional. Já Viviane Ferreira da Silva, ReD Program Manager da Radix, começou pela Matemática e, ao longo da carreira, passou por diferentes áreas até chegar à engenharia, tecnologia, inteligência artificial e gestão.

Izabela, Guilherme, Ana Beatriz, Viviane e José

Para Izabela, a mudança de trajetória começou quando percebeu que a profissão escolhida aos 17 anos não correspondia mais ao que buscava. A experiência, porém, não foi descartada. Pelo contrário: liderança, estratégia, trabalho em equipe e análise de cenários, aprendidos durante a formação em Educação Física e na vivência com o esporte, acabaram se tornando diferenciais em sua carreira corporativa.

“Quando a gente fala de faculdade de Educação Física, geralmente a pessoa olha e pensa: ‘turma do fundão, é a galera da atlética’. Não. Eu consegui trazer muita coisa da faculdade”, contou.

A profissional também destacou que a mudança exigiu reconhecer as próprias competências e aprender a apresentá-las. Ao voltar para a universidade e iniciar uma nova formação, precisou lidar com a sensação de estar começando novamente — mas descobriu que sua experiência anterior continuava tendo valor.

Viviane também resumiu sua trajetória como uma combinação entre planejamento e oportunidades. Para ela, cada experiência ajudou a construir um repertório que, mais tarde, permitiu conectar diferentes conhecimentos para solucionar problemas. “As coisas não precisam ser lineares, mas elas têm um fio condutor. Acho que é legal entender o nosso caminho como um conjunto de fatores que conversam entre si”, afirmou.

A matemática, nesse percurso, deixou de ser apenas uma formação acadêmica e passou a ser uma forma de enxergar problemas. A partir de professores, colegas e novas experiências, Viviane descobriu possibilidades profissionais que sequer conhecia quando escolheu a graduação. O caminho passou por mestrado, contato com a indústria, engenharia, tecnologia, IA e gestão.

Para Guilherme, a carreira também foi muito mais resultado de acontecimentos do que de um plano fechado. O sonho inicial era trabalhar com cinema. Depois de não conseguir ingressar na área, escolheu um curso relacionado à Comunicação e foi acumulando experiências que abriram novas portas. Mais tarde, habilidades desenvolvidas em Comunicação e Inovação contribuíram para uma transição profissional. “Zero planejamento, 100% oportunidade”, brincou ao falar sobre a própria trajetória.

Mas oportunidade, para os participantes, não significa simplesmente esperar que algo aconteça. É preciso estar preparado para reconhecê-la, e, muitas vezes, tomar a iniciativa para criá-la. “Você vai ter que ir atrás. Você vai ter que se relacionar, conversar com as pessoas e falar: ‘Olha, eu estou interessado. Posso aprender com você? Posso me conectar com você?’”, destacou Guilherme.

José, que escolheu Administração justamente pela possibilidade de conhecer diferentes áreas, encontrou no RH uma oportunidade de conectar interesses e experiências. A passagem por diferentes funções dentro da PRIO também ajudou a entender, na prática, quais caminhos faziam sentido para sua carreira.

A mensagem se estendeu para além da escolha de uma profissão. Segundo os participantes, competências como pensamento criativo, resiliência, aprendizado contínuo e capacidade de adaptação permanecem relevantes mesmo quando as ferramentas e as funções mudam. “Você vai se tornando pronto. Independente do curso”, afirmou José.

Repertório também se constrói fora da sala de aula

No último bloco da conversa, os profissionais falaram sobre outro elemento essencial para construir uma carreira: as pessoas. Professores, familiares, líderes, colegas e amigos apareceram nas histórias como figuras que ajudaram a apresentar novos caminhos ou reconhecer habilidades que os próprios profissionais ainda não enxergavam.

Para Guilherme, saber identificar essas conexões é fundamental. “Saiba muito bem quem são os seus aliados”, destacou, lembrando que uma rede de apoio pode ajudar a abrir portas e apresentar oportunidades.

Os participantes também chamaram atenção para o fato de que nem todos os jovens têm acesso às mesmas redes. Nesse contexto, programas de entrada no mercado de trabalho, iniciativas de formação e espaços de conexão com empresas podem desempenhar um papel importante para ampliar o acesso a oportunidades. E, para quem ainda está tentando descobrir seu caminho, ficou um recado: não é preciso ter todas as respostas agora.

A carreira pode mudar. O curso pode não definir o destino. Uma experiência aparentemente distante pode se tornar uma habilidade importante no futuro. E aquilo que hoje parece um desvio pode, mais adiante, fazer parte da história que conecta tudo.

No Young Summit, a mensagem foi direta: não existe problema em recalcular a rota, desde que você continue aprendendo, construindo repertório e procurando novas possibilidades.

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