Fórum Supply Chain reúne setor para discutir investimentos, transição energética e desafios da cadeia de suprimentos
O Fórum Supply Chain reuniu representantes da indústria de petróleo e gás, do mercado financeiro, de empresas de serviços e de instituições do setor para discutir os principais desafios e oportunidades para a cadeia de suprimentos diante do novo ciclo de investimentos, da transição energética e das transformações no cenário global. Realizado nesta segunda-feira (21), o evento promoveu debates sobre financiamento, competitividade, descarbonização, projetos offshore e descomissionamento.
Na abertura, o presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Roberto Ardenghy, destacou a importância da integração entre fornecedores, operadores e os diferentes agentes da cadeia para ampliar a eficiência, a segurança e a capacidade de resposta da indústria diante das crescentes exigências regulatórias e ambientais.
“Eu não só tenho confiança, mas tenho evidências de que a gente vai conseguir entregar cada vez mais, produzir esse petróleo com mais eficiência, com menor custo operacional e de um modo mais seguro. E isso só será feito com essa integração entre os fornecedores e os operadores, entre os diversos players dessa cadeia gigantesca que a gente tem no óleo e gás”, afirmou.
O primeiro painel, “Energia, capital e segurança energética: novo cenário de investimentos”, foi conduzido por Aldren Vernersbach, coordenador de Análises Técnicas e Econômicas do IBP. A apresentação abordou as perspectivas para o setor de petróleo e gás no Brasil e os impactos do cenário geopolítico sobre as decisões de investimento. Entre os pontos destacados estiveram a projeção de mais de US$ 100 bilhões em investimentos no setor entre 2026 e 2030 e o papel da segurança energética, que passou a integrar, ao lado de retorno e risco, as principais variáveis consideradas pelo capital.
Na sequência, o painel “Financiamento e competitividade na cadeia de petróleo e gás no Brasil”, moderado por Luiz Carvalho, CFO da Brava Energia, reuniu Arlindo Carvalho, sócio do BTG Pactual; Oivind Amundsen, CEO da Euronext Oslo Børs; Rodrigo Ribeiro, CEO e chairman da Constellation Oil Services e presidente do conselho da ABSPetro; e Rodrigo Rocha, Business Development Manager da MODEC.
Ribeiro apresentou a trajetória de transformação da Constellation após o processo de recuperação judicial, destacando a retomada do acesso ao mercado de capitais e a importância do financiamento para sustentar o crescimento da companhia. Arlindo Carvalho abordou o papel do mercado financeiro na estruturação de diferentes alternativas de capital para empresas do setor, incluindo operações no mercado brasileiro e internacional.
Rocha destacou a necessidade de avaliar a competitividade da indústria a partir de uma perspectiva de longo prazo, considerando não apenas o custo de execução dos projetos, mas também o valor gerado ao longo de todo o seu ciclo de vida. Já Amundsen apresentou a estratégia da Euronext Oslo Bors de concentração nos setores de energia, transporte e alimentos e falou sobre as oportunidades para empresas brasileiras acessarem o mercado internacional de capitais.
Em sua participação, o executivo norueguês também elogiou a realização do Fórum Supply Chain e a estrutura do evento. “Esta é a minha primeira vez no Brasil, no Rio, e até agora estou extremamente impressionado. É uma cidade linda, as pessoas são tão boas, e o evento é fantástico. Acho que vocês estão dando uma competição muito difícil para outros eventos”, afirmou.
Ao longo da tarde, a programação avançou para outros temas estratégicos para o desenvolvimento da cadeia. O painel “Supply Chain na transição energética: estratégias para a descarbonização” reuniu Telmo Ghiorzi, presidente da ABESPetro, como moderador; Janaina Ruas, diretora de Desenvolvimento de Negócios e Novas Energias da SLB; e Lilian Melo, gerente executiva do Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação (CENPES).
Na sequência, o debate “Fortalecendo a cadeia de suprimentos para viabilizar os próximos projetos offshore: competitividade, inovação e colaboração” contou com a moderação de William Clavijo Vitto, especialista em Política Industrial do IBP, e a participação de Alexandre Alves, gerente executivo de Supply Chain da Petrobras; Amanda Gondim, superintendente de Tecnologia e Meio Ambiente da ANP; e Jim Kettle, diretor comercial da Subsea7.
Encerrando a programação, o painel “Descomissionamento no Brasil: caminhos para a superação de entraves” reuniu Edson Valverde, gerente de Descomissionamento da Petrobras, como moderador; André Guardin, gerente de Compras da Gerdau; Igor Fita, Decommissioning Subsea Manager da Trident Energy; e Marcelo Dourado, gerente de Descomissionamento do Grupo SBM Offshore.
Com participação expressiva do público, o último debate reforçou a relevância do descomissionamento para o futuro da indústria brasileira e colocou em discussão os desafios e caminhos para ampliar a eficiência e superar os entraves relacionados a essa etapa do ciclo de vida dos projetos offshore.