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24/09/26

Presidente da Petrobras defende exploração ativa e prevê atendimento de 100% do mercado nacional de diesel

No último dia da ROG.e 2026, maior festival de energia do planeta, Magda Chambriard classifica busca por novos poços como vital para conter o declínio do pré-sal, acelera a Margem Equatorial e projeta blindagem do abastecimento nacional frente às turbulências geopolíticas

Em uma das declarações mais contundentes do encerramento da ROG.e 2026, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, cravou que "não existe futuro para uma empresa de petróleo sem exploração" e que estagnar a perfuração de poços pioneiros "é pedir para morrer".

Durante conversa no Strategic Talks com o presidente do IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis), Roberto Ardenghy, a executiva destacou o avanço das campanhas na Margem Equatorial — com foco nos poços no Amapá e no Rio Grande do Norte — como vetor indispensável para repor reservas e mitigar o declínio do pré-sal a partir dos próximos anos. Magda ressaltou também o apetite internacional da estatal, citando descobertas estratégicas de gás na Colômbia para atender à demanda da próxima década e novos ativos na Costa do Marfim, Namíbia e México.

Frente às incertezas geopolíticas e aos riscos de restrição no comércio global de combustíveis por grandes potências, a executiva revelou que a Petrobras avalia, no seu próximo Plano Estratégico (2027-2031), ampliar sua capacidade de refino para atender até 100% do mercado brasileiro de diesel.

Campos gigantes em produção: do projeto à implementação

A visão de expansão e busca por novas fronteiras exploratórias defendida pela Petrobras foi ratificada pelas grandes petroleiras globais durante o painel sobre a operação de campos gigantes offshore. O CEO da ExxonMobil Brasil, Alberto Ferrin, afirmou que o país abriga as fontes de energia mais atraentes do planeta e projetou que, em breve, outras bacias sedimentares além do pré-sal assumirão o protagonismo no desenvolvimento socioeconômico nacional. Citando a trajetória de sucesso na América Latina — a exemplo da Guiana, onde a companhia já opera quatro FPSOs e constrói outros três —, o executivo destacou o papel de novos polos na geração de prosperidade regional e na atração de capital produtivo.

Na mesma linha, a vice-presidente de Águas Profundas e Ultraprofundas da TotalEnergies, Aurélie Clave, enfatizou que o grande desafio das operadoras é atender à crescente demanda global produzindo mais energia com menor pegada de carbono. Para a executiva, a competitividade dos projetos gigantes em águas profundas passa obrigatoriamente por quatro prioridades: eficiência operacional, disciplina rigorosa de custos, descarbonização das atividades e agilidade para reduzir o tempo entre a descoberta e o primeiro óleo (first oil). As análises dos C-Levels reforçam o tom do encerramento da ROG.e 2026: a atratividade do mar brasileiro é incontestável, mas a retenção de investimentos depende de velocidade, tecnologia e compromisso socioambiental.

Geopolítica do Atlântico

Essa busca por novas fronteiras ganha ainda mais peso diante da geopolítica global, conforme pontuou o CEO da SBM Offshore, Øivind Tangen. O executivo destacou, no painel Strategic Talks, na ROG.e 2026, que as recentes instabilidades no Oriente Médio e o fechamento do Estreito de Ormuz aceleram a diversificação geográfica e a valorização dos ativos na Bacia do Atlântico, região que desponta para produzir "o petróleo do futuro". Com forte atuação no Brasil e na Guiana — tendo a Petrobras e a ExxonMobil como principais clientes —, Tangen enfatizou que, embora a indústria viva o momento de maior volatilidade de sua história, novos polos como a Margem Equatorial brasileira (com destaque para a Foz do Amazonas), Namíbia, Nigéria e Suriname são peças-chave para atração de capital, garantindo a longevidade operacional e o abastecimento global.

Desenvolvimento territorial e impacto local no onshore

Paralelamente às grandes operações, a atuação das operadoras independentes no onshore consolidou-se no Fórum de Produtores Independentes como um motor decisivo de transformação socioeconômica no interior do país, sobretudo em regiões de baixo IDH no Nordeste. Debatedores ressaltaram que a revitalização e a extensão da vida útil de campos maduros evitam o descomissionamento precoce de ativos e provocam um choque imediato na economia local — exemplo traduzido no aporte de R$ 1 bilhão da PetroReconcavo em fornecedores regionais. Ao priorizar a contratação de serviços locais, capacitar a mão de obra do entorno e investir em contrapartidas ambientais e culturais, as produtoras independentes garantem empregos de maior qualificação e convertem a atividade de óleo e gás em um vetor permanente de inclusão produtiva e desenvolvimento sustentável para os municípios produtores.

Sobre o IBP: O Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) atua há décadas como o principal representante do setor de energia no Brasil, promovendo o conhecimento, o debate estratégico e o desenvolvimento de uma indústria cada vez mais sustentável e inovadora.

Sobre a ROG.e: A ROG.e 2026 conta com patrocínio da Petrobras, Shell, Equinor, Galp, Petronas, PRIO, Repsol Sinopec Brasil, TotalEnergies, Brava Energia, bp, Chevron, ExxonMobil, Misc, Acelen, Modec, Oceaneering, Origem, SBM Offshore, Subsea7, Vertical Group, Vibra, Accenture, Karoon Energy, PanAmerican Energy, SLB , TBG, TechnipFMC, ABB, ABS, Expro, Foresea, Honeywell Technologies, OceanPact, Vallourec, Viridien e EcoPetrol, Invest in Brazil, Apex Brasil, Abeemar, com as parcerias oficiais da United Airlines, Maringá Turismo, S&P Global, Goal Prime, Locatelli Group, Firjan Senai, Sebrae, Argos Consultoria e Fairmont.

Os eventos paralelos da ROG.e contam com o patrocínio da Petrobras, Shell, Subsea7, Accenture, Deloitte, Intelie, Petronas, Iconic, Mobil, Lubrax, Raízen, 2solve, enerflex, huajun jincheng, relimpp, getsaf, hailu heavy industry, leflows, lanyu oil field, PetroReconcavo, ABH2, Abiogás, CCS Brasil, DNV, TBG, Wison, Maire Tecnimont, Acelen, Hempel, PUC, INJ, Dolphin, Locatelli

O evento conta também com a participação das seguintes startups: CarbonAir Energy, Cognittiv, DescarbonTech, fu2re, Haka Bioprocessos, IndustriAll, Inflection Soft Works, Matcis, MicroDOTs, Mindsim, Mitico, Monitorai, Nanos, Neo Vision, NSGreen Fuels, Orion, Pix Force, Prothera, RFID Brasil, Scink, The Insight, Trackfy, Treevia, Vertesis, Viaflex, Voltpile, além das participantes do Programa NAVE e Sebrae RJ.

Parceiros de mídia da Agência eixos, Brasil Energia, MegaWhat, Petro&Química, TN Petróleo, Band News, Oil and Gas Journal, Offshore Engineer, Petroleum Economist, Plurale, Recharge, Upstream, World Oil e World Pipelines.

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