Em nova edição, IBP Recebe promove encontro focado em transformação digital e conectividade no setor de energia
O Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) realizou, na última semana, a segunda edição do IBP Recebe, iniciativa criada para promover encontros técnicos e de relacionamento em parceria com empresas, reunindo especialistas e profissionais do setor para debater temas estratégicos.
Realizado na sede do IBP, no Rio de Janeiro, o encontro foi promovido em parceria com a Nokia e teve como foco a conectividade no futuro do setor de óleo, gás e biocombustíveis. Ao longo da programação, executivos e especialistas discutiram como essas tecnologias estão contribuindo para aumentar a competitividade, a eficiência operacional e a segurança das operações em toda a cadeia de energia.
Antes da abertura oficial da programação, o presidente do IBP, Roberto Ardenghy, deu as boas-vindas aos participantes e destacou a importância de iniciativas que fortalecem a troca de conhecimento e a conexão entre os associados. "Essas atividades são muito relevantes porque permitem que a gente não só coopere, mas também se conecte com a nossa rede de associados. Além disso, mantêm o IBP como um espaço de discussão e atualização. Esse encontro, voltado às estratégias de conectividade e à melhoria da eficiência dos negócios, está na alma da nossa organização", afirmou, agradecendo à Nokia pela parceria na realização do evento.
Márcio Veronesi, Head Brazil da Nokia Enterprise, realizou a abertura oficial do evento ressaltando a importância da inovação, da troca de experiências e da construção conjunta de soluções para os desafios da indústria. "A proposta deste encontro é discutir conceitos, compartilhar desafios e entender como podemos agregar valor à indústria por meio da inovação e da troca de conhecimento."
Em seguida, Márcio convidou Marcelo Entreconti, VP Nokia Enterprise, para dar uma breve mensagem antes do início das apresentações. Em sua fala, o executivo destacou a importância do diálogo com a indústria para compreender seus desafios e transformá-los em soluções tecnológicas capazes de gerar valor para o setor. “A informação que recebemos da indústria é fundamental para transformar desafios em soluções tecnológicas”, destacou.
O primeiro painel do evento foi conduzido por Luiz Bodanese, presidente da Gaia Partners, que apresentou o tema “O papel da conectividade na competitividade do setor energético”. O executivo destacou como a evolução da infraestrutura de dados e comunicação tem impulsionado a transformação das operações offshore, permitindo avanços como manutenção preditiva, integração de sistemas e maior eficiência operacional. “Em três décadas, a quantidade de dados gerados por uma única operação offshore passou de quilobytes para terabytes por hora. Cada salto de produtividade foi precedido por um salto na infraestrutura de dados e comunicação”, afirmou.
Durante sua apresentação, o executivo abordou como tecnologias como conectividade 5G, edge computing, softwares industriais e inteligência artificial estão impulsionando a transformação digital da indústria. “Precisamos preparar a infraestrutura tecnológica agora para que as inovações que chegam ao mercado possam trabalhar a nosso favor. A combinação entre conectividade, processamento de dados, software e inteligência artificial será fundamental para tornar as operações mais eficientes, seguras e sustentáveis”, destacou.
Já no segundo painel, Martin Beltrop, Portfolio Management Director da Nokia, trouxe o tema “Redes privativas como infraestrutura estratégica para operações críticas (casos)”. Durante sua apresentação, o executivo destacou como a conectividade industrial é uma base para a transformação das operações, combinando redes privativas, dados, softwares e inteligência artificial para responder aos desafios da indústria. “Quando falamos sobre a solução, começamos com conectividade, com rádios, para que possamos ter tudo conectado. A partir disso, conseguimos coletar dados, aplicar softwares e trazer inteligência artificial para obter mais insights e tornar as operações mais eficientes”, afirmou.
O terceiro painel contou com um debate sobre “Habilitando o ambiente de O&G conectando com IT&OT”, moderado por Melissa Fernandez, Gerente de Tecnologia e Inovação do IBP, e com a participação de Guilherme Veloso (Rio Innovation Factori Manager da SLB), Eduardo Léo (Gerente de Infraestrutura, Tecnologia Operacional e Segurança da Informação da Origem Energia), Diego Colela (Enterprise Account Director da Nokia) e Maximilian Vieira (Senior Technology Advisor da Petrobras).
Ao iniciar a conversa, Melissa destacou o papel da conectividade na evolução da indústria de óleo e gás, trazendo para o debate os desafios relacionados à infraestrutura de redes privadas, operações críticas e à integração entre tecnologia da informação (IT) e tecnologia operacional (OT).
Questionados sobre como a infraestrutura de redes privadas e a conectividade de missão crítica vêm transformando as operações, Eduardo Léo destacou a importância da conectividade para garantir segurança e continuidade operacional. “Se você tem uma falha dentro de uma operação crítica, você coloca em risco a vida dos profissionais. O objetivo sempre foi a gente não somente entregar a comunicação de voz, como garantir a conectividade para construir um ecossistema para toda a cadeia de valor da companhia”, afirmou.
Maximilian Vieira ressaltou a evolução do papel das redes privativas na indústria e sua integração com diferentes tecnologias. “As redes privativas são as redes das redes, então você acaba usando-as como suporte para transportar essas outras tecnologias mais proprietárias do mundo de IoT”, explicou.
Ao abordar a relação entre conectividade, inteligência artificial e aplicações práticas, Melissa questionou como a conectividade de baixa latência pode transformar o uso de dados e soluções avançadas na indústria.
Guilherme Veloso destacou a importância do acesso qualificado aos dados para geração de valor operacional. “Ao longo do caminho, a gente claramente entendeu que o foco é o dado. O valor vem do dado. E mais do que isso é, com base na conectividade, o quão você, de forma, com qualidade, você acessa o dado e de forma tempestiva”, afirmou.
Diego Colela reforçou a importância de integrar conectividade, aplicações e ecossistemas tecnológicos. “A principal visão da Nokia é estar fazendo esse pilar muito forte da conectividade, ter junto ali também o Edge Data Center com as aplicações e estar subindo também na cadeia ali com as aplicações”, destacou.
O quarto e último painel do dia contou com um debate sobre “Digitalizando ambientes portuários através de redes privadas móveis e fixa”, moderado por Alexandre Vallejo, Account Director da Nokia, e com a participação de André Fernandes (Vice-Presidente do SINDARio e SOAMAR), Márcia Costa (CEO da Transpetro) e Marcos Araújo (Consultor da OSX).
Ao iniciar a conversa, Alexandre Valejo destacou os desafios relacionados à transformação digital, infraestrutura e conectividade em ambientes portuários e operações críticas, trazendo para o debate como tecnologias emergentes podem acelerar essa evolução em cenários complexos.
Questionada sobre os desafios de conectividade e transformação digital na operação da Transpetro, Márcia Costa ressaltou a complexidade de atender diferentes frentes da companhia, que atua em logística e transporte multimodal. “Não tem uma solução única que vai atender a tudo. Então, a gente tem diferentes desafios e, aí, tem diferentes soluções”, afirmou.
Ao abordar os avanços tecnológicos no setor marítimo e portuário, André Fernandes destacou a evolução cultural das empresas e a importância dos investimentos em infraestrutura para acelerar a transformação digital. “O aculturamento das empresas, por assim dizer, ajudou muito na evolução mais rápida do desenvolvimento tecnológico em geral”, explicou.
Na sequência, o debate avançou para o papel das redes privativas em grandes ambientes industriais. Marcos Araújo ressaltou a importância da tecnologia para garantir segurança, comunicação e eficiência operacional em áreas extensas e complexas. “Eu vejo a tecnologia como um desafio, e é um vetor que não tem como a gente segurar. Pelo contrário, a gente tem que estimular todos os negócios que a gente trabalha”, afirmou.
Ao discutir segurança, disponibilidade de dados e governança tecnológica, Márcia reforçou a necessidade de garantir resiliência em operações críticas. “Segurança, como tudo que a gente tem dito, não é? Se você vai ser invadido, você se prepare para reagir rápido”, destacou.
Encerrando o debate sobre aplicações práticas e retorno dos investimentos, Marcos ressaltou o impacto da automação e do uso de dados para melhorar processos operacionais. “Informação é tempo, tempo é dinheiro. E a gente conseguir automatizar cada equipamento, cada processo, eu acho que reflete diretamente no retorno de qualquer investimento que é feito”, concluiu.