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30/03/26

IBP debate estratégias para o combate ao racismo e promoção da liderança negra

O setor de energia reuniu lideranças e especialistas em um webinar realizado pelo Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), na última quarta-feira (25/3) para discutir soluções concretas contra a discriminação racial e a urgência de ações afirmativas estruturantes. O evento destacou que o combate ao racismo na indústria exige mais do que conscientização: demanda compromisso com a transformação das trajetórias corporativas.

Durante o encontro, foi apresentado o resultado do formulário de autodeclaração do programa Ziga, por Carolina Souza, vice-coordenadora do GT de Raça e Etnia do IBP. O levantamento, que conta com 138 respostas, pretende mapear o perfil dos profissionais negros no setor.

Os números desmistificam a justificativa frequente de que não há profissionais qualificados para as vagas: 33% dos respondentes possuem pós-graduação completa e 21% ensino superior completo. A maioria atua em empresas de exploração e produção (49%) e possui formação em Engenharias (28%) e Administração (12%). "Ajuda a gente a se aprofundar um pouco e trazer dados para combater falácias e o achismo", destacou Carolina.

Denise Santos, gerente de suprimentos da Shell Brasil, relatou o fato de ser frequentemente a única mulher negra convocada para painéis sobre diversidade, evidenciando a quase inexistência de mulheres negras em cargos de liderança na indústria. "Nós temos a responsabilidade sim de não só colocar as nossas mazelas na mesa, mas acho que principalmente de discutir as soluções".

Karen Cubas, gerente da Universidade do Setor de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (UnIBP), destacou que a discriminação não é um tema do passado e limita ativamente trajetórias e oportunidades no ambiente corporativo e educacional. “Nós estamos em uma indústria que é majoritariamente formada por pessoas brancas, então a responsabilidade é de todo mundo. Então, aqui é mais do que um lembrete, mas sim um convite da responsabilidade.”

O diagnóstico visual da exclusão foi corroborado por Nelson Narciso, Chair do Comitê Organizador da ROG.e 2026, que relatou a ausência quase total de executivos negros na CERAWeek, com exceção das delegações vindas da África.

Tamiles Alves, coordenadora de ações afirmativas na política e mercado privado do Ministério da Igualdade Racial, defendeu que as empresas precisam realizar diagnósticos internos rigorosos, avaliando não apenas o ingresso, mas indicadores de permanência, equidade salarial e rotatividade (turnover). Ela enfatizou a importância do recorte de raça e gênero, lembrando que as mulheres negras ocupam a base da pirâmide corporativa.

Felipe Bernardes, coordenador de operações da Petrobras, explicou que a empresa já caminha para o segundo ciclo de mentoria corporativa exclusiva para pessoas negras, visando prepará-las e apoiá-las na liderança. Além disso, a companhia atua em sua rede de influência, exigindo critérios de diversidade em licitações de prestadores de serviço e promovendo a capacitação de advogados negros para atuarem no setor. A Petrobras desenvolveu trilhas de treinamento interno sobre colorismo que alcançaram cerca de 1.000 funcionários, adaptando a linguagem para a cultura específica do setor de óleo e gás.

Leandro Pinheiro, gerente de contratos de Pesquisa e Desenvolvimento na Shell Brasil, enfatizou que "não existe protagonismo sem preparo" e que as empresas devem garantir constância em seus programas de diversidade, mesmo em períodos de crise. Outro ponto fundamental discutido foi o papel do patrocinador e da mentoria. Diferente da mentoria tradicional, propôs-se o modelo de mentoria coletiva, que ressoa com a vivência comunitária da população negra.

Rafael Vicente, diretor-geral da Iniciativa Empresarial pela Igualdade Racial, alertou que os números de inclusão racial estão estagnados no país. Segundo ele, o problema da ascensão não se resolve apenas com qualificação, mas com a mudança nos processos de decisão. "Não é necessariamente um indicador. O problema é ter uma determinação e uma designação do que você vai fazer", afirmou, destacando que as empresas precisam de metas claras e lideranças responsabilizadas pelos resultados.

Clique aqui para assistir ao webinar.

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