Diversidade racial no setor de energia: um desafio para o futuro da indústria
A indústria de petróleo, gás e energia vive um momento de profunda transformação, impulsionado por avanços tecnológicos, pela transição energética e por exigências cada vez maiores em eficiência, segurança e sustentabilidade. Nesse contexto, a competitividade das empresas está diretamente relacionada à capacidade de atrair, desenvolver e reter pessoas qualificadas, refletindo também a diversidade da sociedade brasileira. No entanto, a representatividade racial ainda é um dos grandes desafios do setor.
Segundo dados do IBGE (PNAD Contínua, 2022), pessoas pretas e pardas representam mais de 56% da população brasileira. Apesar disso, essa proporção não se reflete de forma equivalente no mercado de trabalho formal, especialmente em setores de alta complexidade técnica, como o de energia. De acordo com o estudo “Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil”, do IBGE (2022), pessoas negras apresentam menores taxas de ocupação em cargos de maior qualificação e renda, além de enfrentarem maiores barreiras de acesso a oportunidades de desenvolvimento profissional.
No recorte específico do setor de energia e óleo e gás, a sub-representação racial é ainda mais evidente. Segundo levantamento internacional da Boston Consulting Group (BCG), divulgado em 2021, menos de 20% dos profissionais do setor de energia pertencem a grupos étnico-raciais minorizados, percentual que cai significativamente quando observados os cargos de liderança e tomada de decisão. Esse cenário reforça a existência de desafios estruturais que vão além do acesso ao emprego, envolvendo também permanência, progressão de carreira e visibilidade profissional.
A ausência de diversidade racial não impacta apenas a equidade social, mas também o desempenho das organizações. Estudos demonstram que ambientes diversos tendem a ser mais inovadores, produtivos e resilientes. Segundo o relatório “Diversity Wins”, da McKinsey & Company (2020), empresas com maior diversidade étnico-racial têm 36% mais chances de apresentar desempenho financeiro acima da média de seus setores. Já a Harvard Business Review (2018) aponta que equipes diversas tomam decisões melhores em até 87% dos casos, especialmente em contextos complexos e de alta pressão, uma realidade comum na indústria de energia.
Além disso, a diversidade está diretamente relacionada à atração e retenção de talentos. De acordo com o LinkedIn Workplace Learning Report (2023), 94% dos profissionais afirmam que permaneceriam mais tempo em empresas que investem em desenvolvimento e inclusão. Complementarmente, pesquisa da Gallup (2022) indica que colaboradores que se sentem incluídos e representados são mais engajados, produtivos e propensos à inovação, fatores críticos para a sustentabilidade de longo prazo das organizações.
No Brasil, promover diversidade racial no setor de energia também significa contribuir diretamente para a agenda global de desenvolvimento sustentável. Iniciativas voltadas à inclusão e à equidade racial dialogam com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, especialmente o ODS 4 (Educação de Qualidade), ODS 8 (Trabalho Decente e Crescimento Econômico), ODS 10 (Redução das Desigualdades) e ODS 18 (Igualdade Étnico-Racial). Mais do que um compromisso social, trata-se de uma estratégia de fortalecimento institucional e de geração de valor para o setor.
É nesse contexto que se insere o Programa de Diversidade ZIGA, iniciativa da UnIBP voltada à promoção da equidade racial no setor de petróleo, gás e biocombustíveis. Criado para ampliar oportunidades, fortalecer o desenvolvimento profissional de pessoas negras e estimular práticas organizacionais mais inclusivas, o ZIGA atua de forma integrada por meio de ações educacionais, de mapeamento de talentos e de sensibilização do setor para a importância da diversidade racial.
Entre suas frentes estão a Trilha de Aprendizagem, voltada ao desenvolvimento de competências técnicas e comportamentais, o Formulário de Autoidentificação, que contribui para a geração de dados e diagnósticos sobre a presença de profissionais negros no setor, e a construção de um Glossário Étnico-Racial, que promove uma linguagem mais inclusiva, reflexiva e alinhada às boas práticas de diversidade e inclusão.
Ao apoiar o Programa ZIGA, empresas têm a oportunidade de atuar como protagonistas na transformação do setor de energia, contribuindo para a redução de desigualdades históricas, o fortalecimento da empregabilidade de profissionais negros e a construção de ambientes mais diversos, inovadores e preparados para os desafios do futuro. Mais do que patrocinar uma iniciativa, trata-se de investir em um setor mais representativo, sustentável e conectado à realidade da sociedade brasileira.
Empresas interessadas em apoiar o Programa ZIGA e fazer parte dessa transformação podem se unir à UnIBP na construção de um futuro mais diverso, equitativo e inclusivo para a indústria de energia.