Notícias

A necessidade de se avançar na regulação do mercado de gás nos estados foi destaque no Seminário de Gás Natural, promovido pelo Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), nesta quarta-feira (10/5).

Gustavo Cecchucci, diretor de energia e descarbonização industrial da Braskem, afirmou que o gás permite maior segurança energética, mas ainda é necessário promover sua competividade. “Outro fator relevante é o da competitividade. Neste quesito hoje estamos perdendo de lavada, já que o preço de gás nacional está tão elevado quanto na Europa. Ainda não conseguimos capturar as reais oportunidades para gerar valor para a sociedade através de nossos produtos. Esperamos que esse mercado ganhe dinamismo para permitir que isso aconteça”, disse Cecchucci.

Claudio Jorge, diretor da ANP, afirmou que o processo regulatório está robusto nacionalmente, e o setor mais competitivo após a abertura do mercado. “A Petrobras como monopolista criou mercados. Na Guiana por exemplo, hoje estamos observando a Exxon criando mercado lá. O importante é que exista alguém que invista para isso ocorrer. Hoje temos um cenário bem diferente no Brasil, com novos agentes, na produção, no transporte e na distribuição. O mercado já está aberto e agora é crescer”, destacou o diretor da Agência reguladora.

Christian Iturri, presidente da Shell Energy do Brasil, destacou a complexidade que da cadeia de gás natural e a necessidade de continuar o processo de abertura do mercado. “Até o momento, não temos um mercado aberto. Abrimos um pouco. Precisamos desse dinamismo e desconcentração com mais atores. Na Europa, também não são tantos produtores, porém existem muitos comercializadores que não tem barreiras para atuarem. Isto dá um dinamismo tal que dá segurança de se vender o produto e o consumidor contratar, obviamente com uma flutuação via preço”, concluiu Iturri.

Gustavo Labanca, CEO da TAG, lembrou que o Brasil é um país de proporções continentais que ainda não possui toda a infraestrutura necessária para o transporte do gás, que será viabilizado no médio e longo prazo. Para ele, é preciso realçar o papel do transporte do gás e promover uma integração maior entre o setor de gás e o setor elétrico no Brasil. Sendo este o caminho para garantir maior segurança no suprimento. “O transporte é o elo principal do setor. É o market place para todos os agentes. Fundamental que toda fonte de suprimento seja conectada na malha de transporte, dando maior liquidez e menor preço”.

A diretora de gás natural do IBP, Sylvie D’Apote, destacou que o início da abertura do mercado no Brasil aconteceu num contexto internacional desafiador. Justamente num momento em que os preços internacionais do combustível estavam pressionados, “Perdemos uma dimensão importante de competição que é o da importação de GNL”.

Durante o painel “Foco na oferta doméstica: o Pré-sal e os novos projetos offshore Heloisa Borges Esteves, Diretora de Estudos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis da EPE, destacou o crescimento da oferta nos próximos anos com a entrada de novos projetos. Borges ressaltou ainda a necessidade de avançar na consolidação do novo mercado de gás. “Fizemos muito em pouco tempo e o próximo desafio é aproveitar todo esse gás. Aproveitar de forma técnica, responsável e construir as condições econômicas para viabilizar essa oferta”.

Thiago Penna, Diretor do Projeto BM-C-33, da Equinor, que recentemente anunciou a decisão final de investimento no ativo, ressaltou que o projeto é estratégico, não apenas para a empresa, mas também para o país. Penna enfatizou a mudança positiva percebida pelos agentes com o novo mercado de gás. “Por muito tempo, no planejamento do BM-C-33, o principal entrave era entender a quem seria vendido esse gás. Na medida que se tem uma maior clareza quanto ao desenvolvimento do mercado, foi possível viabilizar a decisão de investir”, destacou o executivo, reforçando a importância da continuidade do processo de abertura do mercado, da previsibilidade e segurança jurídica e regulatória.

O Gerente Executivo de Reservatórios da Petrobras, Tiago Homem, informou que a Petrobras pretende aumentar em 40% a oferta de gás natural até 2027. Homem destacou que a Petrobras, além de ser sócia não operadora no BM C 33, possui projetos de gás não associado em Sergipe aguas profundas, prevendo a operação de dois FPSOS, a partir de 2027, com capacidade de escoamento de 18 milhões de m3/dia. “Vamos experimentar aumento de gás para os próximos anos, entrando com uma série de projetos, seja operando ou seja em parceria”, disse.

Além da participação do Governo Federal, o Seminário de Gás Natural conta com patrocínio master da Petrobras; patrocínio platinum da Galp; patrocínio ouro da Equinor, da Excelerate Energy, da PetroRecôncavo, da Repsol Sinopec Brasil e da Shell Energy; patrocínio prata da 3R Petroleum, da ExxonMobil e da Naturgy; e patrocínio bronze do Faveret Tepedino Londres Fraga (FTLF), do Machado Meyer Advogados, do Mattos Filho, da New Fortress Energy, da NTS, da TAG e do TAGD Advogados. Ele ainda conta com o apoio institucional da ABAR, da ABiogás, da ABPIP, da ABRACE, da ABRACEEL, da ABRAGET, da ANP, da ATGÁS, da EPE, da Firjan, do Instituto de Energia da PUC-Rio (IEPUC) e da ONIP. Com parceria de mídia oficial da epbr, conta ainda com apoios de mídia da TN Petróleo e da Petro&Química.